top of page

ELIAS MENEZES

Buscar

Sim, o agro é o carro-chefe da economia em Nepomuceno!

Não! Não recebe o devido suporte por parte do governo municipal!


Cultura cafeeira é o destaque em Nepomuceno


Proponho iniciarmos esta discussão pela aritmética básica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto de Nepomuceno (PIB), que corresponde à soma das riquezas produzidas durante o período de 1 (um) ano em nosso município, atingiu a marca de R$ 574,6 milhões em 2021. Deste montante, R$ 195,5 milhões foram provenientes do setor primário; mais especificamente, da agropecuária.

 

574,6 --- 100%

195,5 ---  x

574,6 X = 195.500

X = 195.500/574,6

X = 34,02%


Daí denotamos, através desse simples exercício matemático, que a atividade econômica agropecuária corresponde a 34% do PIB de Nepomuceno, considerado o ano de 2021. Em outros termos, equivale a dizermos que a cada 100 reais de riqueza produzidos em Nepomuceno, 34 reais vêm do agronegócio.

 

Afinal, o que essa proporção representa? Qual o peso do agro na economia nepomucenense? Tais indagações demandam uma análise comparativa, ou seja, pede-nos que comparemos a relação agro/PIB existente em Nepomuceno com a relação existente em algum outro município. Para este efeito específico, proponho que façamos a comparação com nossa vizinha Lavras, por: (I) tratar-se de município pertencente a mesma microrregião, e, portanto, sujeito a condições geográficas e ambientais similares e; (II) por tratar-se de município com economia notoriamente mais desenvolvida, em termos de participação do setor industrial, o que nos permitirá realizar algumas constatações interessantes.

 

2.572.287.420,00 --- 100%

145.241.100,00     --- x %

X = 5,64%

 

Novamente recorrendo aos dados do IBGE, temos que o PIB de Lavras em 2021 correspondeu a R$ 2,5 bilhões, ao passo que o setor agropecuário respondeu por R$ 145,2 milhões. Vejam que, considerando-se somente o resultado absoluto, a produção agropecuária em Nepomuceno já é superior à de Lavras – R$ 195,5 milhões ante R$ 145,2 milhões. De todo modo, retornando à análise da participação do agro no PIB lavrense, chega-se ao percentual de 5,64%. Novamente, é o mesmo que dizermos que a cada 100 reais de riqueza produzidos em Lavras, R$ 5,64 vêm do agronegócio.

 

A cada 100 reais de riqueza produzida, em Nepomuceno 34 reais vêm do agro e, em Lavras, pouco mais de 5 reais. A diferença é ou não considerável? Através dessa análise comparativa, podemos perceber afinal o peso do agronegócio na economia nepomucenense.

 

Para além do peso do agro, cabe também uma breve discussão dos cultivos e das criações que compõem o setor primário em Nepomuceno. Nosso município possui um território definido em 582 km², dos quais 43.003 hectares ocupados pelo agronegócio produtivo – cerca de 74% do território total –, distribuídos em 1.532 estabelecimentos, no bom mineirês “roças”. São dados do Censo Agropecuário, também produzido pelo IBGE, mas desta vez referente ao ano de 2017.

 

O destaque é, de longe, o cultivo do café. São 1.297 roças, que produziam, à época, 15,8 toneladas anuais do grão, em 9.330 hectares – considerando os estabelecimentos com 50 ou mais pés. Em termos brutos, estima-se uma produção superior a R$ 114 milhões. Outras culturas que merecem atenção são o milho (1.825 hectares que produziram mais de R$ 8 milhões) e o feijão (522 hectares que produziram quase R$ 2 milhões). Na pecuária, o destaque vem dos bovinos, que somavam no ano 21.384 cabeças (número quase próximo aos cerca de 25 mil habitantes de Nepomuceno!) a uma renda anual, considerando apenas a atividade leiteira (excluindo-se, portanto, o corte) de quase R$ 9 milhões.


Pois bem, uma vez posto e comprovado o peso significativo do agronegócio em Nepomuceno, bem como a participação de alguns dos cultivos e das criações, partiremos agora para a análise do gasto orçamentário setorial com o agro, por parte da atual gestão municipal.


Gasto per capita com agropecuária em Nepomuceno


Na realidade, tal análise é inviável... Ocorre que, mesmo os escassos gastos públicos da Prefeitura Municipal de Nepomuceno com o setor agropecuário não se encontram sob a unidade orçamentária da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente. Com efeito, os dados disponíveis no cálculo do Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS), da Fundação João Pinheiro (FJP), indicam um gasto per capita com agropecuária (R$ correntes/habitantes) zerado desde 2019. O esforço orçamentário em agropecuária apresenta padrão semelhante.


Esforço orçamentário em agropecuária em Nepomuceno


Restaria à atual gestão tentar apresentar os esforços da Secretaria de Infraestrutura com estradas rurais como ações propostas e realizadas junto ao agro no município.

 

Com efeito, a manutenção das estradas rurais constitui uma das principais demandas do setor em Nepomuceno. Tenho diariamente defendido que a (falta de) qualidade da infraestrutura oferecida a esse setor produtivo implica no que chamo de custo Nepomuceno. Infelizmente, são mais do que rotineiras as imagens e vídeos que correm nos grupos de WhatsApp relacionados às estradas de Nepomuceno que retratam caminhões de leite tombados, ônibus que transportam trabalhadores rurais atolados em estradas que mais lembram um cenário de guerra vietnamita do que, de fato, estradas rurais transitáveis, entre outras fotografias lamentáveis.

 


Imagem de estrada rural compartilhada em grupo de Nepomuceno


Não nego, contudo, a complexidade do problema. É quase consenso que as estradas rurais de Nepomuceno são, comparativamente, extensas. Digo que é um consenso, pois a Prefeitura, e este é um erro que também atribuo a gestões anteriores, sequer conhece concretamente a extensão da malha vicinal. A gestão carece do devido mapeamento topográfico das estradas rurais em Nepomuceno. Como bom aluno de Administração Pública que fui, sei e faço questão de repetir que políticas públicas que carecem de evidências não podem ser mais do que meros improvisos. E, improvisos que são, falham miseravelmente.

 

A calamidade em nossa Nepomuceno se torna ainda mais gritante quando comparada às estradas perfeitamente trafegáveis e bem mantidas em municípios vizinhos, sobretudo Coqueiral e Três Pontas – ambos limítrofes a Nepomuceno e cujas populações notoriamente aprovam a gestão municipal no quesito infraestrutura rural.

 

A meu ver, não existe solução mágica. Tampouco, meros voluntarismos de proponentes a ocupar a cadeira de Prefeito Municipal irão resolver a questão. De início, é urgente contratar estudo topográfico para conhecermos de fato a extensão e as características de cada trecho das estradas rurais de Nepomuceno. O primeiro passo é reunirmos evidências do problema: pontos que concentram cursos de água, trechos que carecem de “baulamento” de estradas, escassez e/ou falta de limpeza saídas d’água, etc.



Ilustração de abaulamento

 

Em termos administrativos, creio ser essencial a divisão do órgão hipertrofiado que se tornou a Secretaria de Obras. Apesar de ferrenho defensor da redução da estrutura administrativa municipal, entendo ser mais do que justificável, até essencial, a divisão da Secretaria de Obras em: (I) Secretaria de Infraestrutura Urbana e (II) Secretaria de Infraestrutura Rural. E aí vai um detalhe essencial: temos de ter um engenheiro de notório saber teórico e prático a frente da nova pasta. Evidente que tal medida contraria e muito a eterna prática de abrigar aliados políticos sem faro administrativo, por conveniências eleitoreiras, que há muito tempo impera em nosso município.



Ilustração dessa prática perversa em Nepomuceno

 

Aqui, não se trata de inventar coisa alguma. Citei os casos de Três Pontas e Coqueiral, mas tenho o exemplo de um amigo pessoal que fiz na vida pública: o hoje deputado estadual Dr. Maurício (NOVO). Quando prefeito de Ouro Fino, e basta ir à cidade e consultar sua população para tomar conhecimento dos extraordinários índices de popularidade de que goza o ex-prefeito, pavimentou mais de 100 km de estradas rurais se valendo apenas de recursos próprios! Reitero que existem boas práticas de gestão nos 853 municípios de Minas, basta a dedicação para encontrá-las e incorporá-las em Nepomuceno.



Ex-prefeito de Ouro Fino e atual deputado estadual de Minas Gerais, Dr. Maurício (NOVO)

 

Para além da questão topográfica e da reestruturação administrativa, há que se promover a renovação do maquinário, sobretudo das patróis. E, para isto, não são poucas as oportunidades oferecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) através de convênios para aquisição do referido maquinário, além das retroescavadeiras.

 

E por falar na retro, não há muito tempo os proprietários de maquinários na zona rural em Nepomuceno poderiam prestar seus serviços aos vizinhos de terras, mediante contrato junto ao Poder Público municipal, de modo a garantir a infraestrutura necessária nas roças de Nepomuceno a custo baixo. Cabe sim analisar a viabilidade de reintroduzir essa iniciativa.

 

São muitas as possibilidades de promover o aumento de produtividade e, portanto, de geração de riqueza no setor agropecuário em Nepomuceno. Basta o uso adequado da máquina pública e de seus recursos tendo por finalidade sempre o interesse público. Algo que parece muito distante do atual (des)governo em curso em nosso município!

 

 
 
 

Comments


Âncora 1
  • Instagram
  • Facebook
  • Twitter
  • Linkedin
  • Youtube
  • TikTok

Elias Menezes

Rua João Inácio Dias, nº 156, Centro
Nepomuceno - MG

Email: elias.natal@hotmail.com

Celular (WhatsApp): (35)99715-8449

bottom of page